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SOBRE A ATENÇÃO

(transcrição de uma fita gravada de Silo.Setembro de 1989)

Em uma época de forte hipnose como esta, a atenção é uma arma formidável para contra-atacar a influência do sistema, para descobrir seus pontos débeis e elaborar os pontos de vista e os posicionamentos que podem esclarecer às pessoas para se oporem ao sistema. Nossa gente tem que fazer um pequeno esforço nessa direção. É um grande poder o conhecimento de si mesmo. Aumenta a reversibilidade, diminui a hipnose, permite decidir.


Eu  escuto o imbecil liberal, eu vejo suas proclamações televisivas disfarçadas de ideologia e estou atento. Eu sei que estou atendendo; e o problema da atenção dirigida, o problema para eles, é que não perco minha referência, não sou sugado pelas solicitações sensoriais que são apresentadas a mim.


Conhecemos um tipo de atenção que é a atenção cotidiana. A atenção que vai a direção dos estímulos. Aparece um estimulo, eu atendo. Faço soar um gongo e o cachorro vai em direção a comida. Movo-me em direção as coisas segundo minha atenção for solicitada por algum estimulo sensorial.


Conhecemos outro tipo de atenção. Há muitos estímulos, mas eu vou àqueles estímulos, dentre todos os existentes, que coincidem com meus interesses. O primeiro caso é o de uma atenção simplesmente solicitada por estímulos, e é uma resposta maquinal. Faço um ruído e as pessoas seguem. O segundo caso, onde o sujeito tem seus interesses e tudo isso, parece ser uma atenção algo mais consciente. Mas é uma atenção igualmente mecânica. Mesmo que não venha a mim o estímulo e que a coisa parta de mim para o estímulo, essa atenção está levada, de todas as maneiras, por essas aspirações, essas condutas que nem sequer foram revisadas. O sujeito nem sabe por que tem tais interesses. E por que segue em direção ao estímulo, porque assim está armado, assim está condicionado a responder ao estímulo. Muito interessante.


A fonte é diferente, de orientação da atenção. A primeira é uma atenção animal, solicitada por estímulos externos, e a segunda é uma atenção verdadeiramente  humana, que é ir para o outro. Mas por interesses. Observem que tanto em um caso como no outro, não se está movido por um genuíno controle, por um saber o que se está fazendo, em nenhum dos dois casos. Há diferenças entre uma e outra, mas está claro que não se sabe o que se está fazendo nem em uma e nem na outra.

Conhecemos estas formas de atenção. Conhecemos o que é uma atenção dividida, por exemplo. Conhecemos o que é estar, ao mesmo tempo, atendendo a dois estímulos. Essa atenção na verdade não é muito freqüente. Salvo em alguns ofícios, em algumas ocupações, ou em exercícios. Há certa capacidade para atender a duas coisas simultaneamente. Às vezes o ofício exige isso.


Dir-se-á: "Bom, depois isso se mecaniza e vemos a um cara que dirige um bus, recebe a grana, corta o bilhete, dá o troco, muda a marcha, xinga o de atrás. Isso se mecaniza. Mas há ofícios em que essa prática, essa atenção está dividida. Por experiências, por práticas, por exercícios, conhecemos esse trabalho de atenção. Há outro tipo de atenção que é a atenção dirigida. Nós podemos fazer muitas práticas ou experiências e a única coisa que vamos conseguir com essas práticas é compreender que a atenção é muito elástica, que admite diferentes formas, e vamos poder testar a própria atenção. Mas não podemos colocar essas práticas além do que justamente são: práticas ou uma comprovação.


Não podemos fazer isso (ir adiante com a prática), porque se pretendemos que o exercício de uma forma de atenção, por força da pratica sustentada, alcance resultados de transformação, o que vai se produzir é uma fadiga. E vamos colocar-lhe empenho no dia 1, no dia 2, no dia 3, menos no dia 4, menos ainda no dia 5 e "sayonara". O que nos exige muito esforço e não podemos localizá-lo em faixa para já trabalhá-lo sem muito esforço, é algo que não é possível sustentar, porque não obtemos benefícios proporcionais ao esforço investido.


Estes testes são de interesse porque nos permitem compreender os segredos da atenção. Uma das coisas que a atenção dirigida nos permite compreender é que a reversibilidade joga com maior fluência. Na medida em que estamos conversando e estamos atentos ao que estamos dizendo, não perdemos nosso centro de gravidade. Damos-nos conta que é bastante difícil que “engulamos a isca”. Porque poderão nos dizer isto ou aquilo, mas nosso olhar está claro. Não somos tão suscetíveis nem vulneráveis à pressão de grupo ou situações, nem à apresentação de imagens de papelão. Porque temos nosso centro em nós mesmos.

No momento certo, comentou-se que uma das características da hipnose era a perda de referências do sujeito e de sua capacidade de comparação. Essa perda da capacidade de comparação fazia com que o objeto estímulo se transformasse em algo central, não se pudesse equiparar a nada, e ao não haver comparação se caía nesse campo de influências. Isso acontecia também nos sonhos. E acontece não só em hipnoses. Acontece na vida cotidiana. A sugestão da imagem é muito forte, a sugestão do momento em que se vive, do meio social, a sugestão da imprensa, da TV, atuam muito fortemente. Não há com o que comparar, em todos os lados se encontra o mesmo, há determinados valores estabelecidos, tudo isso é aceito, nada disso é pensado, isso é o que acontece, isso é o que ocorre, você está submetido a esse grande campo de influências e sua atenção termina finalmente indo nessa direção. E aí estamos presos nessa hipnose do sistema, coisas assim conversamos no momento certo.


A capacidade de reversibilidade e de autocrítica diminui consideravelmente nas populações. Se há pouca capacidade de crítica é porque não é possível comparar coisas; por isso não é possível fazer. E se há pouca capacidade de autocrítica é porque não se podem comparar coisas dentro de si mesmo. Quem não se conhece a si mesmo não pode comparar coisas em si, está diretamente inabilitado para a autocrítica. Não se conhece, não pode fazer autocrítica.

Talvez ache que está se autocriticando, como no caso desses cidadãos que dizem: "Eu confesso que tenho que fazer uma autocrítica. Sou um filho-da-puta". Quando dizem essas coisas, na verdade não estão comparando distintas coisas que acontecem com eles. Estão utilizando o olhar do outro para lançá-lo sobre si mesmos. A autocrítica deles não tem nenhum valor. É como os criticariam outros, eles estão dizendo isso que dizem os outros de si, como elaboração própria.

 Se não há autocrítica e não há crítica, não há reversibilidade. Isto é, não se tem a aptidão para sair desse campo de influências externas provenientes do sistema.
Não têm autocrítica porque não têm conhecimento. (...)

Põe-se em jogo a localização de si nestes fenômenos. Essa forma de atenção dirigida, se nós a apresentamos em termos de prática e de como gera-la, vai terminar em um forçamento, não nos vai dar tempo a que tenhamos resultados e vai acabar saindo mal.
Se nós lembrássemos alguns momentos interessantes em que passeando nossa atenção fizemos coisas sem perder consciência de nós mesmos, quando sentimos uma grande potência interna, sem esforço, isso nos ajudaria mais que isto de propor-nos manter um tipo de atenção.

 Basta com que agora mesmo, enquanto estamos falando (com suavidade, com suavidade, sempre com suavidade), enquanto estamos falando atentos, atentos ao que se está dizendo, atentos às outras pessoas, basta com que nos sintamos localizados  onde estamos para que notemos um olhar bastante mais claro. Não é uma proposta compulsiva, não é um esforço por manter a atenção. É, simplesmente, um sentir-se centrado, aqui onde estamos, conversando, sabendo que conversamos, discorrendo em torno de certos temas, estamos pensando enquanto discorremos neles. Se mantivéssemos essa atitude (não essa prática nem esse forçamento), se mantivéssemos essa atitude e alcançássemos registros de maior potência e frescor na intermediação da imagem, acho que poderíamos tirar bastante proveito desse comportamento mental.


Estamos falando de um comportamento mental diferente. Que, sem dúvida, marca diferenças com o comportamento mental habitual que observamos a nosso ao redor. Nós observamos ao nosso ao redor um comportamento mental muito determinado, muito pouco manejado, pouco claro e, certamente, muito pouco potente. Parece que podemos assumir um comportamento mental, que é também conduta, um comportamento mental que tem seu ganho nisto da reversibilidade, da crítica, a autocrítica e da potência no pensar. Isto não quer dizer que a gente não vai entrar de cabeça, não é mesmo? Frente a determinados estímulos, ante determinadas coisas... a gente entra de cabeça. Não. O que digo é que se de algum modo pudéssemos transformar em um valor psicológico isto de que é mais interessante estar atento, atento ao que efetivamente se passa, atento ao que se faz, atento ao que se diz, ter isso como um “tin-tin” de fundo... Se transformássemos em um valor isto que é bom: uma atitude atenta, estar centrado frente às coisas, acho que ganharíamos. Já se o propusermos como prática ou como disciplina, ou como forçamento... vamos ter problemas.

Se o colocamos assim, como atitude, acho que vamos registrar um interessante potencial, uma maior claridade de idéias, um eixo muito crítico, muito crítico. Acho que isso é inteligência. Há uma conduta mental que se pode assumir, é conduta também.
E se entro de cabeça, bom, entro de cabeça, mas eu tenho esse valor. É preciso ter uma posição mental atenta. Parece-me muito difícil se você está bem posto em sua atenção, me parece verdadeiramente mais difícil que você esteja mal por climas, por confusões, por coisas que estão operando mecanicamente sobre ti. Parece-me mais difícil que se simplesmente você está solicitado pelos estímulos ou vendo se isso que se está tratando tem a ver contigo ou não. Se tiver a ver contigo, vai; se não tem a ver contigo, você olha para a minhoca na parede. Você está ferrado, você está submetido a um campo de influências do caramba. Seja do sistema ou seja de teus bafos (climas), você está com problemas.


Não estou falando de coisas que sejam muito fáceis, mas são suaves.
Cada um em algum momento deve ter —sem dúvida que insistindo e experimentando com a atenção— deve ter registrado em algum momento de certa postura atencional, deve ter registrado essa clareza, essa potência. Têm que havê-la registrado. Se o encaram como prática, haverá dificuldade. Se vão fatigar... e finalmente vão abandonar, não vai ter nenhum sucesso.


Eu reparo muitas formas de atenção. Há uma, quase animal, que depende dos estímulos externos. A outra atenção que tem a ver com os interesses, interesse que ao mesmo tempo a gente não sabe nem de onde vêm, nem por que vai... é um bólido lançado...¡Que digo, um bólido!... Não, uma bola de barro... Aí vou eu, um, uh, uh, uh, Que atento que vou!... e não perco detalhe, porque aí está o interesse. Mas, não tenho idéia do que estou fazendo!!... Bom, este é outro tipo de atenção.

Há atenções divididas e há atenções dirigidas… (não se entende na fita) … cujo centro de gravidade é o olho de quem olha, é o olhar, é suave, é interessante, crítica. E entre tantos registros, há um registro de potência interna.

 Digo que essa conduta mental produz um funcionamento mental diferente, entre essa pessoa que está colocada dessa maneira e o resto das pessoas que põem sua atenção mecânica. Parece-me evidente que têm um funcionamento mental diferente. Eu levaria em conta esta sugestão, ainda quando seja para criticá-la, para discuti-la, para dar-lhe voltas. Levaria em conta esta sugestão em torno da atenção dirigida. Uma atenção que a sustentando sem esforço te põe mais claro e tem seus registros mais interessantes, mais potentes. Olhem, que é suave.


Pergunta: Há um registro de disponibilidade interna também?


Sim. Você se interessa por qualquer bobeira, parece inadmissível; é inadmissível para qualquer pessoa razoável. Vem um filho-da-puta e te fala de uma mosca, e tu aí atento. Sabendo o que faz, você está em outra. Sim, muito disponível, contanto que esteja em marcha essa atenção. Sim, é uma forte disponibilidade interna. Não, as pessoas razoáveis… as pessoas estereotipadas, desenhos de pessoas, não têm disponibilidade, a têm só para certos temas que estão vinculados a seus interesses...

Nesse sentido, a atenção é muito disponível, tudo é muito interessante porque é a atenção a que está trabalhando. Tudo é muito interessante. Certamente você tem seus interesses e suas coisas, mas sua atenção é muito, muito disponível, quase infantil.
Não é um mito, não é nenhuma lenda, é um comportamento mental diferente. E traz vantagens. Você pode estar xingando, você pode estar zangado, mas está localizado. Você está centrado.

Não há ação válida sem atenção válida. Como pode haver ação válida para um distraído? E de que está falando?, É um contra-senso. Isso não pode ser. Tudo isso, não.

Não pode haver ação reflexiva sem reflexão sobre o que se faz. A ação reflexiva é reflexão sobre a ação. Reflexão sobre a ação implica atenção sobre o que se está fazendo. De que ação reflexiva você está falando?, se você está movido por estímulos que não têm nada que ver com a re-flexão. Re-flexo, volta ao pensar. Se enquanto faz as coisas você não sabe o que está fazendo, se enquanto você pensa não sabe que você está pensando, se enquanto escuta não sabe que você está escutando; de que‚ ação reflexiva você está falando? Não sabe, pois, o que diz. Insisto em que é um comportamento mental, não natural. É uma intencional forma de colocar a cabeça. Bom, essa é uma forma de tocar os próprios mecanismos; sim, é uma forma de tocar os próprios mecanismos, disso se trata. Não é "natural" essa forma de pensar..., não é "natural" essa forma de sentir... Não, não é lógico, efetivamente. E isto está muito bem. (Risos).


Suavemente. Sem confusão, sem propor-se, sem forçar a mão. Mas considerando-a um valor interessante. O valor de assumir, entre tantos comportamentos que nos parecem válidos, entre tantas coisas que a gente diz: essas estão bem, essas outras estão como o cu, isso vale a pena, esse outro não; entre todos esses valores, também algo temos o que dizer sobre o comportamento mental. É um modo de ação. "Curto, porque não está movimentando cordas". Veremos, ­agora você verá! Também temos algo a dizer sobre o comportamento mental. Não só sobre o comportamento das mãos, das coisas...


Temos algo a dizer também sobre o comportamento mental. Estamos falando neste momento de um determinado comportamento mental. Mas não me faço nenhum problema moralizante, se me perco na coisa, me perco na coisa.

Eu te digo francamente que é muito menos suscetível à influência irracional dos estímulos externos. Te digo porque você está atento ao objeto e você está localizado em uma perspectiva que registra, que sente. E, sim.


Isso é tudo o que queríamos conversar sobre este tema da ação reflexiva, e como vai ser reflexiva se não se sabe o que está fazendo... Para saber o que se está fazendo é preciso estar minimamente atento ao que se está. A partir disso, a coisa da ação reflexiva pode parecer algo muito grande, mas nada disso, a ação reflexiva tem a ver com um tipo de atenção.


Tantas cagadas se produzem por estar desatento e não por outros motivos... Por erros desse tipo, por desatenção...

 Não, não sabemos muito mais disto, assim é que só isto o que podemos transmitir. Mas sim é genuíno o que dizemos. Que existe um registro diferente quando se valorizou convenientemente esta conduta mental que permite a quem olha, ou a quem faz, se ter por referência, mesmo que seja como perspectiva. Que saiba o que está fazendo, o que está dizendo, o que está escutando...

 É uma forma aperceptiva. Mas eu devo acrescentar constantemente a estas considerações, sempre o mesmo: Não transforme isto em prática! Converte-lo em todo caso, se é que te interessa, em um valor de um comportamento interessante de tua atitude mental. Não em uma prática de esforço.


Para dizer a verdade, quando você tiver muito sono, isto vai diminuir. Essa potência e essa coisa vão diminuir. Mas quando você estiver desperto, pois esteja desperto. Quando você está desperto, você deve estar bem desperto. Não estamos acrescentando muito às coisas que já sabemos. Em todo caso as estamos dando outro enfoque, dando outra volta, dada a experiência que temos nestes temas, não é? Fizemos muitas coisas... Vamos dando outra volta, voltando ao tema da atenção.

Por que não? É o tema fundamental do comportamento mental. E, para fazer o que com essa atenção? Para fazer o que você quiser. Que sei eu de teus projetos, tuas coisas, tuas atividades, teus interesses... Você verá...

Mas eu te digo: há um comportamento mental valioso, muito mais valioso que o comportamento mental dado, o que tenho. Essa é a reflexão que queríamos deixar sobre o tema da atenção.


Estivemos trabalhando com outras pessoas amigas, muito bem, e insistimos neste tema da atenção, da atenção reversível, da atenção desipnotizada, da atenção disponível, da atenção crítica, da atenção com referência à distância, do problema da sugestão do que se diz, do que se vê, da atenção posta no que a gente faz, da ação reflexiva.


Pusemos ênfase em que esse comportamento é mental e o consideramos, talvez erroneamente, como uma coisa valiosa. E não sabemos muito mais sobre este tema. E há registros, seguramente se vocês rastreiam em algum momento, verão que há registros muito potentes, de muita força, com esta graça da atenção.


Parece que se obtendo bons resultados não é preciso preocupar-se de nada porque as pessoas se entusiasmam. Na hora de obter bons resultados, parece que as pessoas gostam de andar assim. Como os pelicanos gostam de andar com uma pedra. Porque sentem um pesinho aqui ... Se não têm um peixe, pelo menos têm uma pedra. Sempre se encontra uma pedra se lhes abrimos a boca (risos). Então as pessoas gostam de andar assim. Bom, não nos levou tanto tempo este tema. Meia hora, uma hora. Mas me parece correto deixar esta sugestão. Porque pelo pouco que vimos, isto é de muito interesse. Convém, parece que nos fortalece, nos faz reversíveis, críticos, nos faz bastante reflexivos.

É um comportamento mental que pode chegar a ser um comportamento mental cotidiano. E não é o comportamento que observamos ao redor. Bom, isso é problema deles, não vamos chorar... E o forçamento não nos convém, não nos vai dar proveito, nos vai  decepcionar, nos vai fazer perder força e em pouco tempo vamos abandonar a prática.


Eu deixaria aí o tema. Chamamos a isso atenção dirigida, não esforçada, suave, compreendida por diferentes experimentos e talvez aceitada por registros favoráveis, não proposta como uma prática. Dizemos que entre outras coisas é atenção apercebida. E a englobamos no tema ‘conduta’. É uma conduta. Não há condutas desviadas, caramba? Claro que há condutas mentais! Acaso não há caras treinados, pelo motivo que for, em ver tudo mal? Não há caras cujo olhar é sempre negativo? Claro que sim, há caras que vivem nessa conduta mental!


Isto é interessante, se é que a gente se interessa pela liberdade.


Não acho que isso vá melhorar outras funções mentais suas, mas sim acho que isso pode te dar muita crítica, e muita prática em levar o olho para onde a gente quer que ele vá. Não te vai dar mais memória, não te vai dar mais agilidade no pensar, essas são características pessoais. Mas vai te dar reversibilidade. E o tema da ação reflexiva, é preciso levá-lo para esse tema. E o climão, e essa coisa que às vezes a gente tem, também se vê que diminui com a atenção. Que tende a não te tomar. Não pode ser que você esteja em um tema movimentando idéias e coisas que têm que ser cristalinas, e de repente apareça um climão e te prejudique e te embace tudo. Mas que é isto? Isso não pode ser. Como fazer isso: Põe a cabeça bem! Não convém. Não faça isso. Isto a gente vê, acho que o notamos todos, estamos muito treinados, somos alcoviteiros, muito psicologizados, acho que notamos muito ao sujeito que se climatiza, temos muita sensibilidade para isso. E nos parece uma coisa desproporcionada, não está agindo bem com sua cabeça. Ponha bem sua atenção!

Este comportamento pode constituir-se no comportamento mental habitual, com o qual se vive. É uma conduta mental diferente.


Há gente que sofre e devaneia, e se climatiza. E para que serve isso? A quem lhe serve? A ele não lhe serve, aos demais também não. E que lógica tem isso? Essas são condutas mentais inaceitáveis. (Risos).


Bom, imaginem que vem o mocinho aí com uma conduta mental inaceitável: Retire-se! Pense de outro modo a próxima vez que vier. Claro, me vem com um bafo, com uma encrenca... como se enchesse todo um pântano... Não contamine! Melhor que fale logo... Que gestos são esses! E daí desconsideração, não? Chega o tipo, te faz uma coisa, é um desconsiderado, está metido na sua confusão... Não é possível estar com ele aí, "bip, bip, bip, bip", sem dramas.


Às vezes se consegue, nos diálogos entre nós, essas coisas muito neutras, muito em tema. São estupendos esses momentos.  Simplesmente se está no que se está. Mesmo que o mundo venha abaixo. As pessoas têm uns desastres que deixaram por aí jogados, mas estão interessadas em um tema, que pode ser uma bobagem, mas é muito gratificante. Mas se você está nisso, e de pronto tudo se complica, tudo fica nublado pela cagada de um clima... Olha, você está aqui, não está lá. E o que acontece lá, você não vai resolver. Por outro lado acontece lá, além disso, te atrapalhou aqui.


Não sabem, não estudam…

 

 

 

 

 

 

 

A ATENÇÂO

A atenção é a aptidão da consciência que permite observar os fenômenos internos e externos. Quando um estímulo passa o umbral, desperta o interesse da consciência ficando em um campo central ao que se dirige a atenção. Ou seja, a atenção funciona por interesses, por algo que de algum modo impressiona à consciência, dando registro.

O estímulo que desperta interesse pode ficar em um campo central de atenção, ao que denominamos campo de presença, que tem que ver com a percepção. Tudo o que não aparece ligado estritamente ao objeto central se vai diluindo na atenção, porém acompanhando a presença do objeto mediante relações associativas com outros objetos não presentes, mas vinculados a ele. A este fenômeno atencional o chamamos campo de co-presença e tem a ver com a memória.


Na evocação se pode deslocar a atenção das presenças às co-presenças, e isso é assim porque houve registro do objeto presente e dos objetos co-presentes. A co-presença permite estruturar os novos dados, e assim dizemos que ao atender a um objeto se faz presente o evidente, e o não evidente opera de modo co-presente. Isto  faz a consciência sobre a percepção, de maneira que sempre se está estruturando mais do que se percebe, ultrapassando ao objeto observado.


Existem diversos tipos de atenção dependendo do modo em que se está atendendo ao fenômeno. Assim, podemos falar de uma atenção simples, de uma atenção dividida, de uma atenção dirigida e também de uma atenção tensa.


A atenção simples é um modo de atender em que a atenção está dedicada exclusivamente à atividade que se efetua.


A atenção dividida é aquela na qual se atende a dois estímulos simultaneamente. Por exemplo, atendo um objeto ou fenômeno dado e simultaneamente estou atendendo a uma parte de meu corpo.


A atenção dirigida é uma forma de atenção aperceptual na qual a atividade do pensar está ligada a registros de relaxamento, de auto-observação, de compreensão e de claridade interna. Atendo, e enquanto atendo observo desde meu interior ao quê estou atento.


Também existe uma atenção tensa na qual a atividade do pensar está ligada a tensões corporais de caráter muscular, inúteis e desnecessárias ao processo atencional.


É importante destacar que diretamente ligado ao tipo de atenção que se põe em prática em cada situação, se porá também em jogo a perspectiva, o olhar, a colocação frente às coisas, frente aos demais e frente à vida em geral.


Bibliografia
Luis A. Ammann, Autoliberação, Práticas Psicofísicas, Lição 6, Aperfeiçoamento atencional

 


 

   
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A VERDADEIRA SOLIDARIEDADE

Consideremos estas idéias: “Onde há sofrimento e posso fazer algo para aliviá-lo, tomo a iniciativa. Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”.
Semelhantes idéias parecem práticas, mas nos deixam o sabor de falta de solidariedade. Como seguir em frente alegremente deixando para trás o sofrimento, desentendendo-nos do pesar alheio?


Vejamos um exemplo. No meio da calçada, um homem cai em violentas convulsões. Os transeuntes se concentram, dando instruções contraditórias e criando ao redor do doente um cerco asfixiante. Muitos se preocupam, mas não são efetivos. Talvez quem chame urgentemente ao médico, ou aquele outro que põe a raia aos curiosos para evitar o aglomeramento, sejam os mais ajuizados. Eu posso ser um dos que tomam a iniciativa, ou talvez um terceiro que consegue algo positivo e prático em tal situação. Mas se atuo por simples solidariedade criando confusão, ou obstaculizando aos que podem fazer algo prático, não ajudo, e sim prejudico.


O anterior é compreensível, mas que quer dizer: “…Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”? Não quer dizer que estou muito contente por isso que sucedeu. Quer dizer que minha direção não deve ser entorpecida pelo inevitável; quer dizer que não devo somar problemas aos problemas; quer dizer que devo positivizar o futuro, já que o oposto não é bom para outros nem para mim.


Há pessoas que, com uma mal entendida solidariedade, negativizam quem quer ajudar e prejudicam a elas mesmas. Essas são diminuições da solidariedade, porque a energia perdida nesse comportamento deveria haver-se aplicado em outra direção, em outras pessoas, em outras situações nas quais efetivamente tivesse obtido resultados práticos. Quando falamos de resultados práticos, não nos referimos somente ao brutalmente material, porque até um sorriso ou uma palavra de encorajamento podem ser úteis se existe uma possibilidade de que ajudem.