Início A Realidade: paisagens e olhares

A REALIDADE, PAISAGENS E OLHARES


“...Não posso tomar por real o que vejo em meus sonhos, o que vejo em semi-sono, nem o que vejo desperto mas devaneando."

                                                                                              
Posso tomar por real o que vejo desperto e sem devaneio. Isso não fala do que registram meus sentidos mas das atividades da minha mente quando se referem aos “dados” pensados. Porque os dados ingênuos e duvidosos os entregam os sentidos externos e também os internos e também a memória. O válido é que minha mente o sabe quando está desperta e o crê quando está dormida. Rara vez percebo o real de um modo novo e então compreendo que o visto normalmente se parece ao sonho ou se parece ao semi-sono.” 

do livro O Olhar Interior, Silo.

1 A REALIDADE
2 A PAISAGEM EXTERNA
3 A PAISAGEM HUMANA
4 A PAISAGEM INTERNA
5 AS PAISAGENS E OS OLHARES
6 livro “Humanizar a Terra”

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A VERDADEIRA SOLIDARIEDADE

Consideremos estas idéias: “Onde há sofrimento e posso fazer algo para aliviá-lo, tomo a iniciativa. Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”.
Semelhantes idéias parecem práticas, mas nos deixam o sabor de falta de solidariedade. Como seguir em frente alegremente deixando para trás o sofrimento, desentendendo-nos do pesar alheio?


Vejamos um exemplo. No meio da calçada, um homem cai em violentas convulsões. Os transeuntes se concentram, dando instruções contraditórias e criando ao redor do doente um cerco asfixiante. Muitos se preocupam, mas não são efetivos. Talvez quem chame urgentemente ao médico, ou aquele outro que põe a raia aos curiosos para evitar o aglomeramento, sejam os mais ajuizados. Eu posso ser um dos que tomam a iniciativa, ou talvez um terceiro que consegue algo positivo e prático em tal situação. Mas se atuo por simples solidariedade criando confusão, ou obstaculizando aos que podem fazer algo prático, não ajudo, e sim prejudico.


O anterior é compreensível, mas que quer dizer: “…Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”? Não quer dizer que estou muito contente por isso que sucedeu. Quer dizer que minha direção não deve ser entorpecida pelo inevitável; quer dizer que não devo somar problemas aos problemas; quer dizer que devo positivizar o futuro, já que o oposto não é bom para outros nem para mim.


Há pessoas que, com uma mal entendida solidariedade, negativizam quem quer ajudar e prejudicam a elas mesmas. Essas são diminuições da solidariedade, porque a energia perdida nesse comportamento deveria haver-se aplicado em outra direção, em outras pessoas, em outras situações nas quais efetivamente tivesse obtido resultados práticos. Quando falamos de resultados práticos, não nos referimos somente ao brutalmente material, porque até um sorriso ou uma palavra de encorajamento podem ser úteis se existe uma possibilidade de que ajudem.