Início A Realidade: paisagens e olhares A PAISAGEM HUMANA

A PAISAGEM HUMANA

(Capítulo IV do livro A Paisagem Interna)

 

Se até uma estrela longínqua está ligada a ti, que devo pensar de uma paisagem vivente, na qual os veados se esquivam das árvores velhas e os animais mais  selvagens lambem seus filhotes suavemente? Que devo pensar da paisagem humana, na qual convivendo a opulência e a miséria, algumas crianças riem e outras não encontram forças para expressar seu pranto?

 

1. Porque se dizes: "Chegamos a outros planetas", deves declarar também: "Massacramos e escravizamos povos inteiros, superlotamos os cárceres com pessoas que pediam liberdade, mentimos desde o amanhecer até à noite... Falseamos nosso pensamento, nosso afeto, nossa ação. Atentamos contra a vida a cada passo, porque criamos sofrimento".

 

 

2. Nesta paisagem humana conheço meu caminho. Que acontecerá se nos cruzarmos em direção oposta? Eu renuncio a todo bando que proclame um ideal mais alto do que a vida e a toda a causa que, para impor-se, gere sofrimento. Por isso, antes de acusar-me por não fazer parte de facções, examina tuas mãos, que nelas não descubras o sangue dos cúmplices. Se creres que é valente comprometer-se com aquelas, que dirás desse a quem todos os bandos assassinos acusam de não comprometer-se? Quero uma causa digna da paisagem humana: a que se compromete a superar a dor e o sofrimento.

 

3. Nego todo o direito à acusação que provenha de um bando em cuja história (recente ou antiga) figure a supressão da vida.

 

4. Nego todo o direito à suspeita que provenha daqueles que ocultam os seus rostos suspeitos.

 

5. Nego todo o direito a bloquear os novos caminhos que o ser humano necessita percorrer, mesmo que se coloque como máximo argumento a urgência atual.

 

6. Nem mesmo o pior dos criminosos me é estranho. E se o reconheço na paisagem, reconheço-o em mim. Assim é que quero superar aquilo que em mim e em todo o homem luta para suprimir a vida. Quero superar o abismo!

 

 Todo o mundo a que aspiras, toda a justiça que reivindicas, todo o amor que buscas, todo ser humano que quiseres seguir ou destruir, também estão em ti. Tudo o que mudar em ti, mudará a tua orientação na paisagem em que vives. De maneira que se necessitas de algo novo, deverás superar o velho que domina em teu interior.

 E como farás isso?

 Começarás por perceber que ainda que mudes de lugar, levas contigo a tua paisagem interna.

Notas Internacionais


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A VERDADEIRA SOLIDARIEDADE

Consideremos estas idéias: “Onde há sofrimento e posso fazer algo para aliviá-lo, tomo a iniciativa. Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”.
Semelhantes idéias parecem práticas, mas nos deixam o sabor de falta de solidariedade. Como seguir em frente alegremente deixando para trás o sofrimento, desentendendo-nos do pesar alheio?


Vejamos um exemplo. No meio da calçada, um homem cai em violentas convulsões. Os transeuntes se concentram, dando instruções contraditórias e criando ao redor do doente um cerco asfixiante. Muitos se preocupam, mas não são efetivos. Talvez quem chame urgentemente ao médico, ou aquele outro que põe a raia aos curiosos para evitar o aglomeramento, sejam os mais ajuizados. Eu posso ser um dos que tomam a iniciativa, ou talvez um terceiro que consegue algo positivo e prático em tal situação. Mas se atuo por simples solidariedade criando confusão, ou obstaculizando aos que podem fazer algo prático, não ajudo, e sim prejudico.


O anterior é compreensível, mas que quer dizer: “…Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”? Não quer dizer que estou muito contente por isso que sucedeu. Quer dizer que minha direção não deve ser entorpecida pelo inevitável; quer dizer que não devo somar problemas aos problemas; quer dizer que devo positivizar o futuro, já que o oposto não é bom para outros nem para mim.


Há pessoas que, com uma mal entendida solidariedade, negativizam quem quer ajudar e prejudicam a elas mesmas. Essas são diminuições da solidariedade, porque a energia perdida nesse comportamento deveria haver-se aplicado em outra direção, em outras pessoas, em outras situações nas quais efetivamente tivesse obtido resultados práticos. Quando falamos de resultados práticos, não nos referimos somente ao brutalmente material, porque até um sorriso ou uma palavra de encorajamento podem ser úteis se existe uma possibilidade de que ajudem.