Início Mundo Sem Guerras Lineamentos Organizativos

Lineamentos Organizativos

Mundo Sem Guerras e Sem Violência

1. Enquadramento

Os lineamentos que nos damos têm por objetivo definir um modelo organizativo que canalize o impulso de milhões de pessoas que rejeitam as guerras e a violência em todas as áreas do quefazer humano.

Trata-se, portanto, de uma organização mundial, humanista, aberta e participativa, onde todos os seus membros são parte plena e ativa na superação da violência, no fim das guerras e das invasões militares e da eliminação dos armamentos, sejam estes nucleares ou convencionais.

É uma organização onde cada participante é responsável pelo que realiza e constrói, mas principalmente onde todos os membros colaboram e impulsionam a construção de uma realidade melhor para toda a humanidade.

Desse ponto de vista, é uma organização que, trabalhando a partir da base, organiza-se em distintos níveis, com a intenção de que esses níveis sejam um ponto de coordenação de ações comuns. A estrutura básica do Mundo sem Guerras são as “equipes de base” que desenvolvem suas atividades em bairros, escolas, universidades, lugares de trabalho, através da Internet, etc.

 

2. Membros e participação

A participação está aberta a todas as pessoas, sem discriminação alguma. Qualquer pessoa que coincida com os objetivos básicos do Mundo sem Guerras poderá integrar-se à organização, somando-se como membro pleno ou aderente e, assim, colaborar com as atividades planificadas, participar das reuniões de formação, capacitação e promover novas ações.

Membros plenos: participam das reuniões, impulsionam seu próprio crescimento, capacitando-se com base nos trabalhos pessoais que o MSG promove. São os membros plenos que têm direito a voto nos distintos níveis e nas convocatórias de voto.

Impulsionam, também, o desenvolvimento e a formação de novas Equipes de Base sem limitação geográfica. Os membros plenos são os que sustentam economicamente o MSG.

Membros aderentes: recebem informação, participam de suas atividades e colaboram com seu desenvolvimento.

Qualquer frente de ação, grupo, organização ou agrupação poderá solicitar sua inclusão como “aderente” no MSG.

 

 

 

3. Organização básica

Quando um grupo de pessoas se coloca de acordo para impulsionar atividades do MSG, reunindo-se periodicamente, aprofundando na prática e no estudo da não-violência no campo pessoal e social, estamos diante de uma primeira organização de base que chamamos deGrupo Promotor do MSG” (GP).

Esse grupo não apenas promove as atividades que lhe são próprias, mas promove também entre seus membros relações e condutas baseadas na Regra de Ouro: “trata os demais como queres ser tratado”.

Esses grupos promotores do MSG são coordenados em um primeiro momento por aquela pessoa que promoveu sua criação e que os desenvolve seguindo os objetivos expostos nos documentos e materiais oficiais do Mundo sem Guerras.

Quando estes “grupos promotores do MSG” alcançam um desenvolvimento mínimo (aproximadamente 10 membros plenos), obtêm permanência em suas reuniões e escolhem por votação direta um de seus membros para que cumpra com as funções de coordenação da equipe, ficam constituídos como uma Equipe de Base do MSG.

As equipes de base do MSG podem gerar vínculos com outros grupos e organizações de seu meio (intercâmbio, ações conjuntas e colaboração), mas sem estabelecer uma relação orgânica com eles.

Desde sua formação, as equipes ou grupos de base do MSG impulsionam a implementação de três mecanismos ou funções básicas:

- crescimento: orienta sua ação para outras pessoas, para outras redes e organizações com o objetivo de divulgar suas propostas e ferramentas.

- comunicação: mantém uma comunicação e um intercâmbio fluidos com outras equipes de base e com outras organizações afins com seus objetivos.

- formação: atende à progressiva formação de seus membros, oferecendo-lhes as ferramentas para a superação da violência interna e externa. Esses estudos e práticas encontram-se desenvolvidos em seus principais materiais.

 

4. Coordenação em distintos níveis (nacional, mundial)

A coordenação mundial é responsabilidade da “Equipe de Coordenação Mundial do MSG” (ECM), integrada por 12 membros eleitos por votação direta dos membros plenos do Mundo sem Guerras de todo o mundo, a cada dois anos.

A conformação da ECM leva em conta a representação de minorias étnicas, culturais e regionais.

A ECM tem responsabilidades de coordenação geral mundial e poderá propor ações conjuntas de diferentes amplitudes e alcances.

As tarefas da Equipe de Coordenação Mundial são:

  • Coordenação de ações conjuntas;
  • Informação mundial aos Grupo de Base (boletim mundial);
  • Site oficial (página Web mundial oficial nos diversos idiomas em que se encontrarão os materiais oficiais e toda a informação mundial necessária);
  • Comunicados mundiais oficiais;
  • Relações com outras organizações em nível mundial;
  • Admissão de organizações e/ou frentes que, atuando em nível regional ou mundial, desejam incorporar-se como “aderentes” do MSG.

Qualquer proposta ou ação que inclua a modificação dos materiais oficiais ou de aspectos organizativos importantes do MSG deverá ser submetida à votação direta de todos os seus membros plenos.

A coordenação nacional é responsabilidade da “Equipe de Coordenação Nacional do MSG” (ECN), integrada por 12 membros eleitos por votação direta dos membros plenos do Mundo sem Guerras de todo o país, a cada dois anos. Cumpre com as mesmas funções do ECM no nível que lhe é próprio.

Sintetizando, os ECNs e o ECM são órgãos permanentes de coordenação, eleitos pelo voto direto dos membros plenos.

Outros níveis de coordenação são temporários e respondem a necessidades conjunturais. Estes serão formados quando for necessário (ações conjuntas, fóruns, campanhas, etc.), mas não terão caráter permanente como os ECNs e o ECM.

 

5. Funções conjuntas

As Equipes de Base do MSG, assim como as Equipes de Coordenação de país e mundial poderão, se considerarem necessário, definir algumas funções que facilitem a ação conjunta, como:

  • Função de porta-voz: responsável por representar o Mundo sem Guerras em atividades institucionais, diante da imprensa e em toda atividade ou situação onde for necessário expor os pontos de vista do Mundo sem Guerras;
  • Funções de relações com outras organizações;
  • Funções legais e jurídicas;
  • Funções de imprensa e difusão;
  • Outras funções ad-hoc.

Essas funções são eleitas por votação direta dos membros plenos das respectivas equipes (de base, de coordenação de país e mundial), e têm uma duração de 1 ano, no caso das equipes de base, e 2 anos nas equipes de coordenação de país e mundial.

Essas funções são de serviço ao conjunto, conforme a orientação com lineamentos precisos dada pela equipe de coordenação. Além disso, podem ser reeleitas.

 

6. Economias

O Mundo sem Guerras se autosustenta com a contribuição voluntária de seus membros. Realiza-se uma coleta anual para o sustento das atividades conjuntas com a participação de todos os membros plenos do mundo.

O montante das coletas é definido pelas “equipes de coordenação de país”, tomando como base uma porcentagem do salário médio do país em questão.

A coleta é distribuída de maneira proporcional entre as equipes de base, equipes de coordenação de país e a equipe de coordenação mundial, segundo proporção definida pela Equipe Promotora Mundial.

Poderão ser organizadas, também, coletas ocasionais com base nas necessidades que surjam, das quais participarão de forma voluntária os membros plenos e aderentes.

Os montantes de tais coletas ocasionais nunca poderão superar o montante da coleta anual.

Coerentemente com uma organização de base humana, os recursos para seu sustento provêm das contribuições de seus membros.

 

7. Aspectos Institucionais

O Mundo Sem Guerras se constitui em nível mundial como Federação e não tem fins lucrativos.

De acordo com o grau de desenvolvimento e crescimento do MSG em cada país e com o fim de facilitar o desenvolvimento dos objetivos em sua relação com seu meio, as Equipes tendem a obter sua personalidade jurídica como “associação civil sem fins lucrativos” (ou figura similar, conforme a normativa de cada país).

Os estatutos ou cartas organizativas dessas associações refletirão uma orgânica e princípios idênticos aos expostos nos materiais organizativos oficiais em nível mundial.

 

 

 

 

8. Recomendações para a nova etapa

É recomendável que, no início desta nova etapa, a coordenação mundial esteja a cargo de uma “Equipe Promotora Mundial”[4] de aproximadamente 10 membros. Eles virão da Comissão que elaborou este documento e poderão somar-se outras pessoas que essa Comissão considere conveniente. Ela deixará de funcionar ao constituírem-se as equipes de coordenação depois das eleições.

9

 


[1] Silo, Dicionário Humanista. Obras Completas, Vol. II, Plaza y Valdés, 2002

[2] Silo, IV Carta a meus amigos. Obras Completas, Vol. I, Plaza y Valdés, 2002

[3] Silo. Humanizar a Terra, Obras Completas, Vol. I, Plaza y Valdés, 2002

[4] Ficam a cargo dessa Equipe a definição dos detalhes de implementação, como calendários com datas das campanhas econômicas e eleições, parâmetros para a definição do montante da contribuição anual, distribuição por níveis de coordenação desses recursos, funções específicas das Equipes Promotoras Mundiais, determinação do logotipo oficial, etc.

© 2019 Movimento Humanista - Internacional This is a free Joomla-Template from funky-visions.de

A VERDADEIRA SOLIDARIEDADE

Consideremos estas idéias: “Onde há sofrimento e posso fazer algo para aliviá-lo, tomo a iniciativa. Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”.
Semelhantes idéias parecem práticas, mas nos deixam o sabor de falta de solidariedade. Como seguir em frente alegremente deixando para trás o sofrimento, desentendendo-nos do pesar alheio?


Vejamos um exemplo. No meio da calçada, um homem cai em violentas convulsões. Os transeuntes se concentram, dando instruções contraditórias e criando ao redor do doente um cerco asfixiante. Muitos se preocupam, mas não são efetivos. Talvez quem chame urgentemente ao médico, ou aquele outro que põe a raia aos curiosos para evitar o aglomeramento, sejam os mais ajuizados. Eu posso ser um dos que tomam a iniciativa, ou talvez um terceiro que consegue algo positivo e prático em tal situação. Mas se atuo por simples solidariedade criando confusão, ou obstaculizando aos que podem fazer algo prático, não ajudo, e sim prejudico.


O anterior é compreensível, mas que quer dizer: “…Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”? Não quer dizer que estou muito contente por isso que sucedeu. Quer dizer que minha direção não deve ser entorpecida pelo inevitável; quer dizer que não devo somar problemas aos problemas; quer dizer que devo positivizar o futuro, já que o oposto não é bom para outros nem para mim.


Há pessoas que, com uma mal entendida solidariedade, negativizam quem quer ajudar e prejudicam a elas mesmas. Essas são diminuições da solidariedade, porque a energia perdida nesse comportamento deveria haver-se aplicado em outra direção, em outras pessoas, em outras situações nas quais efetivamente tivesse obtido resultados práticos. Quando falamos de resultados práticos, não nos referimos somente ao brutalmente material, porque até um sorriso ou uma palavra de encorajamento podem ser úteis se existe uma possibilidade de que ajudem.