Início O Sofrimento Felicidade e sofrimento

Felicidade e sofrimento

Para nós, é um objetivo alcançar uma crescente satisfação consigo mesmo. Isto é possível na medida em que se vão entendendo os fatores que se opõem a essa felicidade crescente. A felicidade é um estado no qual não há sofrimento. Pode uma pessoa superar progressivamente o sofrimento? Certamente pode. Mesmo que vejamos diariamente o contrário, ou seja: à medida que avançam os anos, muitas pessoas vão aumentando seu sofrimento.


Mas, como se faz para ir alcançando uma felicidade crescente? Há uma forma, e esta consiste em compreender como se produz o sofrimento e em começar a agir de maneira diferente à qual o gera.


Às vezes vemos o sofrimento e a maneira de agir para evitá-lo. No entanto, deve antes entender-se a palavra "sofrimento". Muitas pessoas acham que não sofrem, mas que têm problemas com o dinheiro, com o sexo, com sua família, com outras pessoas, etc. Acham que simplesmente vivem com tensões, angústias, inseguranças, temores, ressentimentos e todo tipo de frustrações. Pois bem, ao conjunto desses problemas, chamamos "sofrimento".


É importante distinguir dor e sofrimento. A primeira é física e, sobre ela, o progresso da sociedade e da ciência têm muito o que fazer. Por outra parte, o sofrimento é mental. Às vezes a dor traz sofrimento mental, assim como o sofrimento mental produz dor física e doença. Esta distinção entre dor e sofrimento é uma das primeiras coisas que se começa a compreender no trabalho da Comunidade. Depois aprende-se a buscar as verdadeiras raízes do sofrimento e descobre-se a necessidade de mudar a forma de atuar que produz sofrimento.

Notas Internacionais


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A VERDADEIRA SOLIDARIEDADE

Consideremos estas idéias: “Onde há sofrimento e posso fazer algo para aliviá-lo, tomo a iniciativa. Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”.
Semelhantes idéias parecem práticas, mas nos deixam o sabor de falta de solidariedade. Como seguir em frente alegremente deixando para trás o sofrimento, desentendendo-nos do pesar alheio?


Vejamos um exemplo. No meio da calçada, um homem cai em violentas convulsões. Os transeuntes se concentram, dando instruções contraditórias e criando ao redor do doente um cerco asfixiante. Muitos se preocupam, mas não são efetivos. Talvez quem chame urgentemente ao médico, ou aquele outro que põe a raia aos curiosos para evitar o aglomeramento, sejam os mais ajuizados. Eu posso ser um dos que tomam a iniciativa, ou talvez um terceiro que consegue algo positivo e prático em tal situação. Mas se atuo por simples solidariedade criando confusão, ou obstaculizando aos que podem fazer algo prático, não ajudo, e sim prejudico.


O anterior é compreensível, mas que quer dizer: “…Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”? Não quer dizer que estou muito contente por isso que sucedeu. Quer dizer que minha direção não deve ser entorpecida pelo inevitável; quer dizer que não devo somar problemas aos problemas; quer dizer que devo positivizar o futuro, já que o oposto não é bom para outros nem para mim.


Há pessoas que, com uma mal entendida solidariedade, negativizam quem quer ajudar e prejudicam a elas mesmas. Essas são diminuições da solidariedade, porque a energia perdida nesse comportamento deveria haver-se aplicado em outra direção, em outras pessoas, em outras situações nas quais efetivamente tivesse obtido resultados práticos. Quando falamos de resultados práticos, não nos referimos somente ao brutalmente material, porque até um sorriso ou uma palavra de encorajamento podem ser úteis se existe uma possibilidade de que ajudem.